Vida de elétron na infância
por HnC • junho 24, 2009 • Física • 5 Comentarios
Texto de Belmiro Wolski
E lá, naquela mesma nuvenzinha, de repente um grito se ouve, fazendo até os elétrons mais absortos precessarem de susto.
- Venha já para cá moleque safado!
Era um pequeno elétron, que acabava de assumir sua característica de partícula.
- E da outra vez que tentar se esconder utilizando a dualidade onda-partícula, vou colocá-lo preso a uma órbita, de spin para baixo – esbraveja a mãe.
- Quantas vezes já lhe falei para não brincar com os fótons! Quer mudar de órbita? Tudo bem que você já tem carga -1 mas saltos quânticos não são coisa para criança – continua a mãe em tom áspero.
O pequeno elétron, oscilando em torno de sua posição em frente da mãe, pede desculpas:
- Desculpa mãe, mas são eles que vivem se chocando com a gente o tempo todo. E eu só estava brincando com os menos energéticos.
- Tudo bem, desta vez passa. Mas, por falar nisso, onde está seu irmão?
- E como é que eu posso saber? – retruca o pequeno elétron.
- Isto é jeito de responder para a sua mãe, moleque?
- Ué, não foi a senhora que me ensinou que não se pode conhecer a posição e velocidade de um elétron por causa do princípio da incerteza? E como a gente está sempre em movimento, logo não posso saber onde está meu irmão.
- Está querendo me provocar, eletronzinho? Você sabe o que eu quis dizer!– responde a mãe com um olhar de reprovação.
- Caraca, a culpa é do Heisenberg e eu é que levo a bronca! – reclama o elétron.
Quando tudo se acalma, o pequeno elétron se aproxima da mãe e, em tom de curiosidade, pergunta:
- Mãe! Como foi que eu nasci?
- Ora, como a maioria dos elétrons. Você nasceu do encontro entre dois elétrons, como está devidamente registrado num diagrama de Feynman.
- E eu já nasci com muita velocidade?
- Mais ou menos, filho, mas não muita – explica a mãe.
- Mas como um amiguinho meu disse que nasceu quase com a velocidade da luz? – insiste o pequeno elétron.
- Ah, tá. Ele deve ter nascido como radiação beta no decaimento de um próton. É outra forma de um elétron nascer – justifica a mãe.
- Mãe, o que é um pósitron? – continua o elétron.
- Pósitron? Bem, filho, pósitron é um elétron também. Mas, só que…- e, se agachando junto ao ouvido do pequeno elétron, sussura:
- Eles sentem atração por elétrons – e, se recompondo – Hoje em dia isto é comum, mas antigamente havia certo preconceito. Mas, de qualquer forma, não se aproxime deles, pois qualquer contato e você vira radiação!
- Ui mãe, Deus me livre. Não quero morrer – responde o pequeno elétron, encolhido de medo.
- Eu sei filho, ninguém quer morrer, mas um dia isto vai acontecer. Está gravado nas sagradas escrituras eletrônicas: “Tu vieste da radiação eletromagnética e a ela retornarás”.
- Quer dizer que eu vou me transformar em radiação eletromagnética de novo? – indaga, curioso, o pequeno elétron.
- Um dia filho, um dia.
- E eu vou reencarnar?
- Certamente que sim, filho, mas não necessariamente como elétron – responde a mãe, já cansada com as perguntas.
- Mas agora, chega de perguntas. E alinhe este seu spin! Já não lhe ensinei a postura correta? Quer ter problemas com seu campo magnético?
- Então posso ir brincar com meus amigos? – pergunta o pequeno elétron.
- Pode, mas comporte-se. Não vá gastar muita energia. E lembre-se: nunca queira ocupar o lugar dos outros. Respeite o princípio da exclusão de Pauli. E não me inventem de quererem ir até o zoológico de partículas! – recomenda a zelosa mãe.
E lá vai o pequeno elétron ao encontro da turma.
- E aí, pessoal, vamos brincar no campo magnético? Vamos ver quem faz a curva com maior raio?
- Tudo bem – responde um amiguinho – Mas depois vamos lá no campo elétrico. Adoro deslizar nas linhas de força.
- Legal – concorda o pequeno elétron – Mas vamos por um só caminho. Não vale ir pela soma de histórias de Feynman. Quem chegar por último é um múon!
E assim, todos viveram irradiados para sempre.
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Eu invejo a criativiade.Excelente!
Muiitíiissimo legal!Que imaginação.
bom….muito bom, dei gargalhadas…
Uma senhora aula química.
Uma senhora aula de… FÍSICA